Somos todos spammers. por que?

Eu acho interessante notar que o surgimento das mídias sociais fez com que as pessoas realmente acreditassem ter se tornado mais SOCIAIS. Alias, de todas as coisas que são repetidas sem reflexão, essa de que o Facebook aproximou as pessoas é uma das que me mais incomoda.

O fato é que confundimos volume de interações sociais com socialização. Acreditamos que antes do Facebook não podíamos socializar por que a distância e o preço do DDD (sabe o que é isso?) faziam ser caro demais para a maioria das pessoas.

Não será o contrário? Será que agora não ficou barato demais socializar? Digo: socializar como a internet reforça ser socializar; uma maneira fracamente ligada e desinteressada, onde o importante é o alcance. O prêmio infantil do like e dos seguidores.

O ser humano parece não ser capaz de notar que uma superfície gigante num lago não significa necessariamente que ele contenha mais água que um fosso muito profundo.

E esse nosso imediatismo. Esse marshmallow que nunca vira dois marshmallows por o agora é mais importante que o depois.

Acho que ficou tão barato falar que agora se fala qualquer coisa, e você pode usar esse artigo como exemplo. Eu estava pensando nisso e queria ter outras opiniões sobre o assunto, então escrevi sobre ele na esperança que levantasse uma discussão. Simples e prático. Mais prático que isso só um tweet, do tipo:

Você é spammer e não sabe. Veja no meu artigo o por que. 😉

Usando as mídias sociais falamos de tudo e com todos, mas desde quando uma mídia não é social? E aqui vem o que realmente quero dizer:

1- Toda mídia é social.
2- Quanto maior a parcela da sociedade envolvida com ela, mais social ela é.
3- Quanto maior é a mídia, mais pasteurizada ela precisa ser para continuar crescendo.
4- Quanto mais pasteurizada, menos relevante, porém, maior o seu impacto.

Veja os jornais Folha e Estadão. Das 42 mil páginas de cada edição, Trinta mil são de anúncios de carros que você não quer, de imóveis que não pode comprar, espaços ocupados por quem quer vender. Onze Mil são de notícias que pouca gente lê(nicho), 500 são notícias de pouca relevância mas que todos leem, outras 400 são notícias que alguém precisa que os outros leiam e apenas 100 são sobre algo que justifique seu alcance social.

Ser pequeno não significa ser ruim.

Não dá para escrever tudo aquilo de palavras e cada uma delas soar como música agradável a todos.

Então por que esse tamanho todo? Por que as mídias sociais estão preocupadas com seu alcance? Por que participar de um grupo com 30 mil pessoas no Facebook pode ser relevante?

Quanto mais pessoas expostas a um conteúdo, maior a chance dele se tornar relevante.

Somo todos spammers. Produzindo o que para a maioria é somente ruído, mas que alguns irão considerar de valor. Igualzinho o email de viagra ou enlarge your penis! ou pioooorrr!!!! Aquele maldito email da Corretora Lopes anunciando mais um imóvel ridiculamente super valorizado numa área onde outro corretor jurou que era impossível surgir outro imóvel por que a infraestrutura já estava saturada.

Que alternativa temos, se é a escala de comunicação a chave para a escala nos negócios e sem escala não existe chance de grande negócios?

Tem uma padaria aqui no bairro. Passo lá toda semana. Tomo um café, compro o jornal de domingo e cumprimento a balconista que conheço a anos. Tenho as minhas reclamações mas o Manuel esta feliz da vida, reformou e vai duplicar o tamanho da seção de doces.

Certeza que os negócios estão indo bem, mesmo sem vender para todo mundo. Mesmo focado só no bairro. Ou será por isso mesmo?

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