Conectando Pessoas

O aumento do numero de fotos de grafites espalhadas pelas redes sociais comprova.

São Paulo é uma exposição a céu aberto, criada pela manifestação incessante de uma população que se movimenta em todos os sentidos, numa organização nascida do caos.

Uma massa de gosto tão variádo e inconstante que você pode saber que ocorre ao menos uma passeata por mês na paulista, mas não consegue apontar com certeza qual sera a bola da vez.

E com tudo isso acontecendo do lado de fora, você ainda crê poder saber o que o seu cliente quer, de dentro do seu escritório. Ta bom então.

A única coisa que você pode ter certeza é que essa população se conecta, de uma forma ou de outra.

Quer seja interagindo num simples pedido num balcão de padaria ou em uma reunião onde são definidos os rumos de uma empresa a única certeza é essa. Pessoas se conectam.

No início essa conexão era gestual, um movimento de mãos bastava para transmitir uma informação.

E fomos nos conectando com esses gestos.

Evoluimos.

E graças a essas comunicações nossas concepções não couberam mais nas mãos.

E veio a lingua, a fala, e tivemos ai a ferramenta fundamental para idear complexas e infinitas coisas, que de tão complexas e infinitas passaram a ser admiradas quando simples.

Ganhamos uma capacidade maravilhosa e mesmo assim, transparente.

A capacidade de acumular conhecimento através da transmissão das experiencias, fazendo com que o próximo sempre tivesse um ponto de partida que, no limite, tendia para cada vez mais distante do zero. E Assim buscamos o infiníto.

Evoluímos novamente.

E para isso usamos o que tinhamos nas mãos. E como consequencia da fala como ferramenta, do acumulo de conhecimento e de nossa busca do infiníto buscamos uma nova ferramenta para externar nosso mundo interno de abstrações imperfeitas e incompletas.

E evoluimos novamente e novamente, e criamos o rádio, a TV e a internet, que trouxe o email, que virou chat que virou orkut e depois quase tudo virou facebook e twitter.

Fizemos tudo isso pela necessidade de sair do isolamento que só alguem sem meios de comunicação pode sentir.

Para mim, a mais forte imagem ligada a isolamento esta presente no filme O escafandro e a Borboleta, cujo personagem principal(e real) acaba preso em seu corpo, tendo como meio de comunicação um único olho.

Um homem cheio de idéias cujo cérebro poderia ter ficado trancado se não fosse o meio de comunicação que se criou para ele.

Um quase carcere sem janelas com um absurdo silêncio exterior e um fervilhão de mil vozes atrás de um olho.

E tudo pela comunicação e para a comunicação, uma dica clara de que o que o mundo busca incessantemente, além de nossas reclamações enfadonhas, é comunicar-se melhor, talvez tão bem quanto no tempo de nossos avós.

Fiz todo esse esforço em imagens e narrativas para ilustrar a antitese do que considero a maior verdade em termos de softwares.

A missão maior de todo software é, sem dúvida, comunicar pessoas. É isso, ou ele perde o sentido.

E agora chegam as perguntas.

Seu software é financeiro e gera dados para uma única pessoa numa mesa, então ele não conecta pessoas? Reflita o que ocorre quando os dados são exportados e acabam em um relatório ou apresentação.

Seu software serve para armazenar imagens e documentos então não comunica pessoas? Me explique o que é uma imagem e por que administra-la.

Seu software se dedica a área X, Y ou Z. E essas areas não conectam pessoas? Por favor, exercite sua imaginação e vai encontrar onde ele conecta pessoas, com certeza.

Toda vez que interagir com um projeto, seja ele novo ou velho, visualize como ele  conecta pessoas e com essa ótica, se relacione com a demanda que você recebeu.

Nunca se esqueça: você conecta pessoas.

Agora, voltando as fotos de grafites espalhadas pelas ruas, facebook e twitter e sua legião de fans. Acho que são a comunicação visual de maior sucesso.

Aquele povo todo passando na rua, todos juntos(obra e observador), dia-a-dia, sem tentar te convencer de nada, “apenas” comunicando.

E a cada dia voce nota um novo velho traço. E entende uma coisa nova. E acaba entendendo mais coisas do que o próprio desenho queria fazer entender, num exercício que leva a uma nova evolução.

Conectando de maneira transparente, o artista com o observador. Um observador com outro. Um grupo com outro.

No final, ambos, software e grafites são puramente artes interativas numa galeria gigantesca e que conectam pessoas e suas idéias.

Pense nisso e conecte pessoas.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s