TI precisa de mais artistas.

Bob Dylan artist by Erika Iris Simmons

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quantas pessoas você conhece que são capazes de dizer a seguinte frase:

Eu só trabalho aqui.

Eu espero que poucos e espero também que você não compartilhe desse pensamento, obvio… e que corra dessas pessoas como quem corre de um tsunami.

Nosso trabalho só consegue ser bem feito quando estamos envolvidos emocionalmente com ele.

Enquanto o relacionamento com seu trabalho for baseado no número da sua conta corrente e tiver seu auge nos dias 5, 15 ou 30, nada, repito, NADA que você fizer vai mudar o mundo, nem que seja somente o SEU mundo.

Paixão é a palavra aqui. Paixão pelo que você faz.

Não adianta dizer-se apaixonado, você precisar SER apaixonado e ai que chego no que considero o maior problema.

Caramba, pensa bem, você vai conseguir se apaixonar sempre por toda empresa em que entrar para realizar um projeto?

Claro que não. Não tente se enganar sobre isso.

Ninguém se apaixona por uma empresa logo que entra, e a maioria sai da empresa depois de anos sem nunca ter se apaixonado por ela.

Em parte isso é culpa das empresas, que com uma visão estranha da realidade, disparam uma torrente de tarefas encadeadas para você fazer, quando na realidade deveriam disparar uma torrente de tarefas sim, mas para você se envolver.

Eu não vou falar de empresas aqui, só achei necessário usar a palavra empresa no parágrafo acima para poder conectar as coisas na ordem certa, que acho não ser a ordem atual.

Você não deve se apaixonar por uma empresa antes de se apaixonar por você, pelo seu trabalho, pelo seu resultado. Pela sua obra prima.

Se apaixone pelo que você faz meu caro. E se você tentar e não conseguir se apaixonar, esta mais que claro que você esta fazendo isso errado e talvez o caminho seja procurar outra profissão ou outra maneira de se apaixonar.

Pense como um artista, que apaixonado pela sua arte, não se importa de brigar por ela, discutir e se necessário, chorar por ela.

As melhores coisas que realizei não vieram de uma estrutura fixa Top Down clássica, elas nasceram como resultado da minha paixão pelo que faço junto a grande sorte de encontrar pessoas também apaixonadas pela sua arte.

Quando você é apaixonado pelo que faz as pessoas que também o são percebem, acredite em mim, e se aproximam, trocam ideias. Enquanto as que “só trabalham aqui” procuram te evitar, por que você mexe na situação, estraga a porcaria da zona de conforto e os que “só trabalham aqui” amam esse pedacinho do NADA.

Eu tenho um nome para esse pedacinho do NADA chamado “zona de conforto”. Eu gostaria de chama-lo de concha. Um treco que serve pra te proteger e tem que ser justo ao seu tamanho.

Se a concha for grande demais, atrapalha se movimentar e se for pequeno demais, vai te causar dores horríveis. Um treco que você imagina que te tras segurança, mas que não vai servir em você(para você) a vida inteira.

Não entre na concha meu amigo. Não entre na maldita concha.

Viva como um artista, aja como um artista, viva como um artista.

Seja você mesmo.

E se onde você trabalha não houver espaço para arte, tente criar um mural discreto nos bastidores. Talvez você descubra mais artistas como você, pessoas apaixonadas pelo que fazem, mas que entraram na concha sem querer mesmo, ou por que ali parecia seguro ou por que do lado de fora dela era muito mais perigoso.

E se nada funcionar, procura uma empresa que procure por artistas. Elas existem, exatamente da mesma maneira como existem as conchas.

 

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18 thoughts on “TI precisa de mais artistas.

  1. Concordo plenamente! Acho realmente q existem mtas pessoas que só “trabalham” com TI, pq da dinheiro. Isso é idiota, pq se vc não ama uma coisa, vc não vai fazer o melhor, o impossivel por ela!
    Outra coisa, é uma pena q achar uma empresa onde vc possa desenvolver sua arte, não seja fácil.

  2. Nossa este post pareceu com uma das conversas que tive com o Leandro, concordo plenamente com ele. Sem paixão pelo oque vc faz, não rola. Pra mim essa característica é a premissa para ser um bom profissional o resto é consequência.

  3. caramba man, gostei desse post, é uma realidade muito force no nosso mundo de TI (infelizmente) vou prestar mais atenção para não cair numa concha dessas, e obrigado por compartilhar essa reflexão conosco!!!

  4. Me interesso por este ponto de vista romântico mas sinto que a realidade é distante. As empresas não procuram artistas, procuram mão de obra para entregar seus projetos no final da release/sprint/etc.

    Mesmo na arte, tudo leva ao comercial, ao industrial, ao frio. Isso é o que vende, é o que dá lucro e, principalmente, é o que a sociedade do nosso modelo capitalista espera. Então, dê a César o que é de César.

    • Ricardo, os clientes não procuram artistas assim como não procuram por pura mão-de-obra tampouco.

      Eles procuram por valor agregado. Eles compram valor agregado.

      E não estão preocupados em como esse valor é produzido. Não se importa se são operários sem rosto ou artistas. Na maioria das vezes eles nem se importam se quem produz o seu valor é competente ou não no que faz!

      O único porém (o que é importante) é que, mesmo a médio ou longo prazo, eles são capazes de diferenciar o trabalho bom do trabalho ruim.

      Então está a cargo de quem produz o valor decidir como vai criá-lo: com ou sem paixão. A questão aqui é que trabalho feito sem paixão costuma criar resultados de má qualidade, enquanto trabalho feito com comprometimento e carinho costuma dar resultados de boa qualidade.

      Como você quer ser lembrado pelo seu cliente?

      Se você trabalha para um “César”, se isso é tudo o que ele é para você, recomendo que mude para um cliente ao qual vc. queira, com paixão, oferecer resultados de qualidade.

      • Copernico,

        Mas, na minha opinião, é aí que está o problema. Ninguém consegue identificar com exatidão aquele que faz por paixão daquele que faz por fazer numa entrevista ou numa proposta.

        Então, o sistema se entope de processos para garantir que, independente de quem faça, gostando ou não, vai fazer com o padrão de qualidade aceitável.

        Tome como exemplo o MacDonalds. Você não sabe se o seu sanduiche é feito por um cozinheiro capacitado ou por alguém qualquer. O resultado costuma ser exatamente o mesmo em qualquer estabelecimento do Brasil e as pessoas esperam que continue assim. Então, independente se a pessoa ama ou não fazer aquele sanduiche, o processo vai obrigar com que todos façam da mesma forma e do mesmo gosto.

        Assim também acontece em empresas de outros setores. Entende o que eu quero dizer?

        Grande abraço,

        Ricardo

  5. Sim, eu concordo! Gostando do que se faz os profissionais acabam impondo menos limites ao seu potencial e seu dever, especialmente em TI onde os desafios são constantes.

    Parabéns pelo post!

  6. Ricardo, eu entendi o que vc. quis dizer.

    Mas software, assim como qualquer outro tipo de trabalho criativo (como arte), não é um BigMac(tm).

    Existem inúmeras maneiras de, mesmo que o resultado final passe nos critérios estabelecidos, a qualidade final variar severamente.

    Vc. não mede a performance do BigMac(tm). Nem precisa dar manutenção no sanduíche. Vc. não tem como fazer um hamburger que seja perfeito em todos os aspectos visíveis, mas que não mata a fome do cliente mesmo assim.

    Não dá pra comparar as métricas. Por mais que os GPs tentem transformar a TI em uma ciência exata e previsível, software continua sendo uma arte.

    • Por mais que os GPs tentem transformar a TI em uma ciência exata e previsível, software continua sendo uma arte.

      Que bela frase. Lê-la me fez, mesmo que momentaneamente, reacender uma paixão pelo mundo dos códigos, já quase totalmente enterrada num monte de entulho de padrões e “coisas certas a se fazer”. Sempre vi codificação dessa forma: uma arte.

      Obrigado pela frase.

  7. Ótimo texto! Quem sabe se as pessoas trabalhassem amis por amor teríamos um país mais desenvolvido. Realmente, nos dias atuais as pessoas somente se preocupam com o que vai estar em suas contas, mas o que vale mesmo é o prazer de fazer o que gosta.

  8. Concordo planamente com você, principalmente quando você fala sobre culpa das empresas, que só visa lucra e muitas vezes não valoriza o funcionarios..

  9. Sinceramente,
    Acho que isso é o mundo de Alice.

    A TI é uma prostituta e ela não vai reconhecê-lo por amá-la. Você pode até amar ter contato íntimo com essa prostituta, mas ela não irá reconhecê-lo por isso.
    No mundo de TI o que importa é o que vc produz e o quanto vc custa. O jogo de xadrez é com o cliente, você é apenas uma peça de um jogo de damas.
    Em qualquer empresa do mundo – e principalmente no Brasil, que tem salários baixos e mão de obra cara – o corte de custos começa pelo corte de cabeças. Aí meus amigos, não importa o seu amor, o seu intelecto ou a sua criatividade, você será facilmente substituído por alguém que se disponha, simplesmente, a trabalhar ganhando menos.
    Os gerentes de projetos cumprem o seu papel frio, mas buscando objetividade. Não importa o quão apaixonados e/ou artistas vcs sejam – ainda que seja ótimo ter pessoas bem felizes com o que fazem – o que vale é o resultado final. Experimente trabalhar com todo o seu amor mas com entregas fora do prazo. O produto final de um projeto de TI não tem como valor agragado o amor, a paixão. Isso não pode ser embutido no preço, que no final, é o que dará lucros e irá manter os salários.
    Não estou nem considerando o fato de que alguns gerentes simplesmente ignoram a sua paixão e, em alguns casos, sentem até ciúmes e se sentem ameaçados.
    Se vocês gostam do que fazem, trabalhem sério o com dedicação, sem essa história de amor. Deixem o amor para os seus filhos, mulheres, parentes, animais, etc. Esses sim, poderão reconhecer. Trabalhem para viver, não vivam para trabalhar.

    • TI não é uma ‘prostituta’. Apesar de alguns que trabalham nessa área agirem como tal, nem todos estão ali para isso.
      Eu falo bem pouco de empresas no artigo, exatamente para tentar evitar que se conclua que a culpa ou mérito pelo comportamento do profissional(ser um artista ou viver em uma concha) seja imputada as empresas.
      Eu creio que A responsabilidade dessa escolha é integralmente do profissional.
      A sensação que tenho é que você é um ótimo exemplo da concha que comentei no artigo.
      Escolheu se esconder por que pode estar pensando que, se tentar fazer algo diferente, pode colocar em risco seu emprego.
      Desenvolveu pavor de errar, mas por isso esta sempre errando, mas errando da maneira que toda a equipe erra (?)
      O salario, o “ser substituido por alguem que ganha menos” só é uma realidade quando você esta dentro da concha. De dentro dela não se produz nada de especial, que crie diferencial, e portanto, SIM, você pode ser trocado por alguém que ganha menos.
      Imbutir no preço de um produto o amor, a paixão, o custo da criação visionária é o que empresas como NIKE, Facebook, Google, boo-box e tantas outras fizeram e fazem.
      Essas empresas foram criadas da paixão de alguem por um algo que tiveram que tirar do plano de idéias para o mundo real. É uma pena que olhando hoje para seus produtos, algumas pessoas só consigam ver o resultado, e não o processo todo de criação.
      Você pode ter certeza que em alguma esfera da empresa em que você trabalha existe alguem apaixonado pelo que faz, criando novos conceitos que, ao navegarem na pessima estrutura top-down vão perdendo toda a originalidade e diferencial. Tudo isso graças as pessoas que não saem de sua concha e se escondem pelos corredores.
      E por último, não é necessário ser Hippie para ser apaixonado pelo que se faz. Eu conheço Gerentes de Projeto apaixonados, eles se chamam Scrum Master agora(e são lideres servidores), conheço clientes apaixonados e bem representados pelos Project Owners e por fim, conheço profissionais capacitados, envolvidos e apaixonados pelo que fazem, eles fazem parte de uma coisa muito importante chamada Time de desenvolvimento.

    • Achei interessante seu comentário, apesar de discordar completamente. Você pegou o que o que Ivo escreveu e colocou em sua realidade (ou não), mas o fato é que você ampliou o foco. Você focou em uma “equipe” (problemática).

      Quem disse que para trabalhar com paixão e amor é necessário atrasar o prazo? Saber estimar por si só já um talento.

      Ser substituído é um medo completamente desnecessário. Quando você realmente faz com gosto uma coisa você vai ter certeza que se isso acontecer não vai ser porque a empresa não precisa mais de você e sim porque você não precisa mais da empresa.

      Tudo isso é resquício do pensamento de fábricas de software. Um cria uma interface, outro implementa a classe, outro faz o teste e por fim outro empacota e fica neste ciclo eterno enquanto o “chefe” lucra.

      Não somos máquina, e nossa produção é INTELECTUAL e não MECÂNICA. Qualquer coisa mínima pode alterar sua produtividade.

      Precisamos ver além das “tarefas”, por exemplo: na empresa que eu trabalho me tornei um formador de opiniões (mais tempo de experiência, por ter começado a palestrar, entre outros motivos) e uma coisa que falo sempre pra eles é “seja no código ou em algo visível ao cliente deixamos nossa ‘assinatura’, e ela será vista, portanto como é a ‘assinatura’ que vocês querem deixar?” é uma simples questão de cuidado, planejamento, vontade e, sim, paixão.

      Acho que posso concluir com a pergunta: Somos pagos por trabalhar ou trabalhamos para ser pagos?

  10. Baah,curti demais esse artigo. Realmente, você escreve extremamente bem e sobre o que faz todo o sentido.

  11. Esse espaço é democrático e parabenizo vcs por isso. Não vou me estender para não ficar a impressão de um debate frio, mas essa é apenas a opinião de uma pessoa que é bem remunerada pelo que faz, faz bem (modéstia à parte) e, contrariando o perfil do serviço público, trabalha muito (fora de qualquer concha), ainda que, mesmo que eu escolha ficar totalmente parado, não possa ser demitido.
    Posso pedir demissão e ir para outro lugar? Posso. E terei que trabalhar outros 20 anos em TI para ver se as coisas mudam? Não. Não acredito mais nisso. Também já fui formador de opiniões e falo baseado nas experiências (boas e ruins) e nas observações (também boas e ruins). A realidade é dura. Conheço ótimos profissionais de TI, alguns em empresas nacionais e outros em empresas multi, e as observações são bem próximas. Sabe por quê? Porque o mercado é assim parceiros. Respeito a opinião de todos e dou forças para que vcs continuem valorizando o “capital intelectual”. Esse será seu e ninguém “tasca”. Vocês e suas empresas podem até fazer parte de uma minoria que acredita nessa valorização ou nessa “paixão pelo que fazem”, mas essas coisas acontecem em ondas.
    Time de desenvolvimento? Bom! Sugiro inclusive um time com no máximo 5 integrantes (estourando 6, contando com o capitão), acreditem ! Esse é o número ideal, mas considere-se com sorte em manter uma equipe (de fato) por muito tempo.
    Bom, poderia deixar algumas perguntas aqui para reflexão, mas não quero causar desconforto, até porque me identifiquei com algumas palavras de todos vcs. Posso assegurar que continuo trabalhando com afinco, porém de olho nas “lições aprendidas”. Hoje, gosto do que faço, e faço bem. Já amei o que faço e posso garantir hoje isso não faz diferença alguma. Esperem alguns anos e leiam esse artigo novamente. Acho que as opiniões mudarão – talvez até a minha.

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