Review: Último Teorema de Fermat

Eu ja fiz outros reviews aqui no site, e em todos eles falei de livros dos quais gostei, logo, você não vai encontrar um que diga que um livro é ruim. Isso pq para mim, não faria sentido dispender tempo falando de algo de que não gostei(já existem bastante lugares onde isso é feito), mas o livro do qual irei falar agora tem um sabor especial para mim.

Ele é o responsável, junto a um professor de calculo I, de eu ter me tornado uma pessoa que gosta de matemática, mesmo que ela muitas vezes me faça sentir uma sensação de que não sei nada nesse mundo(e isso não deixa de ser verdade).

O professor, tristemente, não me lembro o nome, pois os anos passaram(isso foi em 2001), mas o livro, finalmente esta aqui comigo.

Eu demorei tanto para compra-lo pelo simples fato de que queria vê-lo no momento da compra e nenhuma livraria tinha ele na prateleira. Não queria encomenda-lo, compra-lo pela internet e nada disso. Queria pegar o livro, olhar para a capa e dizer, pronto, é esse(me vê ai uma duzia pq quero mandar para as pessoas que tenho apreço).

Na época eu tentava pela primeira vez tentar cursar uma faculdade. Era ciência da computação em uma faculdade de Piracicaba, interior de Piracicaba e o nome era EEP(Escola de Engenharia de Piracicaba).

Não passei do primeiro ano, o dinheiro acabou. Mas a lição de que o lugar mais importante da faculdade é a biblioteca e ao lado de algum professor que você escolha a dedo para ser seu tutor ficou e levo ela até hoje. Não é humilhação olhar para alguém que tem mais experiência em um assunto específico e pedir para que ele, ou ela, dispensa uma parte do seu tempo tentando lhe tirar as dúvidas(eu disse dúvidas pois você deve buscar o conhecimento por você mesmo e pedir ajuda somente para retirar as pedras do caminho, não caminhar).

O livro é o último teorema de Fermat, escrito pelo ph.D. em física de particulas Simon Singh, um cara que teve a sorte de estar ao lado dos maiores matemáticos do século enquanto o maior problema dos últimos três séculos era, finalmente, superado pelo matemático Andrew Wiles, sob um silêncio digno dos grandes mestres, mas que também correspondia ao medo do fracasso e a realidade de sua idade, que indicava à comunidade acadêmica que ele era um matemático cujo período de criatividade havia passado.

A luta entre um homem e um problema cujo enunciado não ocupa nem mesmo o espaço de uma linha poética, mas que se ocupar a sua mente, pode se tornar a mais bela das poesias ocupa as 324 páginas do livro em corpo 11/13 com papel off-white(que torna a leitura muito agradável).
Vamos começar do começo.

O teorema de Fermat diz que:

x²+y²=z², e que isso não é verdade para a potências maiores que 2.

Simples não? são somente oito signos matemáticos e eles juntos expressão um desafio que ocupou a mente de matemáticos por mais de 350 anos e cuja solução implicou na criação de novas técnicas matematicas.

Antes de Andrew Wiles, outros matemáticos notáveis tentaram e falharam, alguns pagando com a própria vida e outros com todo o tempo de carreira(o que não deixa de ser um sacrifício, concorda?).

Fermat foi um dos últimos representantes da era dos grandes cientistas, quando a ciência ainda não caminhava para o grau de especialização que existe hoje(ou caminhava, isso é uma grande discussão, que cabe ser tomada durante muitas rodadas de cerveja, afinal, nós somos humanos[eles parecem que não]).

Ele nunca teve uma educação formal em matemática, mas foi considera, por exemplo, o maior matemático de seu tempo(isso foi dito por Pascal) e príncipe dos amadores. Nada mal para quem foi o Juiz supremo na Corte Criminal Soberana do parlamento de Toulouse, uma carreira pública que com certeza só lhe deixava livre os tempos de lazer para dedicar-se a sua bela matemática.

O livro praticamente é escrito como um romance e é notável isso, já que apresenta questões de matematica com uma clareza que permitem a qualquer um de nós(até a mim) entender o contexto do problema e a dificuldade das soluções.

Falar sobre o conteúdo do livro seria como entregar o presente antes da data de aniversário, estragando o valor da ansiedade e o prazer da descoberta, mas posso adiantar alguns nomes que aparecer em suas páginas, começando por Diofante com Aritmética, Pitágoras seu Princípia, Euler, Sophie Germain que se disfarçou de homem para adentrar os mistérios da matemática(exclusivos, à época, aos homens), Alan Turing, que dispensa apresentações, gGoro Shimura e outros que por não serem citados aqui, não deixam de ser tão importante quanto.

Enfim, espero que esse texto tenha lhe despertado a vontade de ler este livro, e que, ao faze-lo, possa emitir sua opnião(que eu gostaria de ouvir).

Um grande abraço

A propósito, o nome do professor é Odahyer Cavallini Jr e me deu suporte quando entrei na faculdade e lhe confidenciei meu quase anafalbetismo em matemática, mas meu grande desejo de superar essa fase. Se hoje estou ao menos lendo as páginas de matematica, devo isso a ele.

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